Conforme a moda masculina e a moda feminina se inspiram cada vez mais uma na outra, a distância que divide as duas categorias vem diminuindo e abrindo espaço para tendências e movimentos em busca de ainda mais liberdade na moda.

Os consumidores jovens questionam o papel da identidade de gênero, e passam a buscar looks versáteis e andrógenos, como um meio de auto descoberta e indiretamente de protesto aos padrões que durante anos, ditaram o comportamento das gerações passadas.

Então, como é a geração sem gênero?

Leia agora.

NÃO SOU OBRIGADA (O)

“Muita gente não se sente obrigada a usar um tipo de roupa só porque a sociedade estipula”, afirma Bobby Bonaparte, cofundador da marca unissex Older Brother, nascida em Portland.

A marca é especializada em roupas folgadas, mas não transgressoras, que canalizam a nostalgia de usar a roupa antiga de um irmão. Esta é apenas uma de muitas marcas de roupa que estão alcançando o sucesso no espaço sem gênero definido.

Bonaparte usa como exemplo a tradução literal da palavra “quimono”: casaco drapeado japonês, que pode se referir a um modelo específico, mas, na verdade, significa “uma peça de vestir”.

Para os homens e mulheres, e as roupas vêm se tornando exatamente isto.

Os antigos ideais acerca da moda masculina e feminina estão obsoletos e não se aplicam mais à esta geração inteligente, que não se apega a normas sociais pré-estabelecidas. O resultado? Bebês com nomes neutros começam a surgir cada vez mais. Um cenário novo feito para uma narrativa movida pelo design inclusivo.

SER LGBTQIA

Conforme as ideias em torno da igualdade de gênero e dos direitos dos LGBTQIA se tornam algo mais comum, a moda associada a essas questões se torna mais relevante e, também, predominante.

Uma pesquisa recente mostrou que 7% dos indivíduos de 18 a 35 anos de idade se consideram LGBTQIA em comparação a 3,5% dos indivíduos com mais de 35 anos.

Os serviços comunitários como os da My Kid is Gay oferecem orientação e adesivos para ajudar os pais a entenderem melhor seus filhos.

Em uma decisão pioneira, a norte americana Jamie Shupe obteve recentemente por lei o direito de não se incluir no gênero binário, não precisando se identificar como homem ou como mulher. A moda conceitual busca quebrar os limites e chocar as normas da sociedade.

Os temas predominantes são a positividade sexual e a adoção da pansexualidade.

A Acne Studios apresenta uma coleção de moda masculina com mensagens como ‘O poder feminino’ e ‘Feminista radical’. O perfil andrógino das roupas que inspiram, reforçam a crença de que não há limitações de gênero entre homens e mulheres.

SUBCULTURAS E AS MARCAS

O movimento das subculturas tem usado a moda para chocar e mostrar uma atitude subversiva, incluindo desde os punks dos anos 70 às diversas tribos de moda influenciadas pelo futebol.

Ao permitir que o estilo fale por si só, os consumidores atribuem às suas roupas um significado escolhido por eles mesmos. As roupas se tornam parte intrínseca de sua autodescoberta, ao invés de se enquadrarem em categorias de gênero específicas.

O estilista Jonny Johansson, da Acne Studios, trouxe o seu filho Frasse, de 11 anos, para estrelar a campanha O/I 15/16 da marca vestindo peças femininas.

“Tenho observado a atitude desta nova geração em relação à moda, em que o corte, o modelo e o caráter da roupa são pontos cruciais e, não, a busca pela aprovação da sociedade ou o cumprimento das normas”, declara Johansson para a Dazed.

Recentemente, a empresa automotiva Mini trouxe jovens estilistas à feira Pitti Uomo para criar uma coleção cápsula descontraída de moletons, destinada a englobar ‘ambos os sexos por meio de um modelo democrático.

A Zara, por sua vez, lançou a categoria Sem gênero em seu website, que inclui camisetas, calças e jeans com modelagem para ambos os sexos. No ano passado, a Selfridges lançou uma loja-conceito no padrão ‘sem gênero’.

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