Além de muita história, agora você vai ficar sabendo como o design em tempos de crise se reinventa no mercado de forma ativa e encontra caminhos para contribuir com a superação socioeconômica.

É certo que estamos vivendo um momento de recessão mundial e é muito fácil escutar nos jornais que estamos passando pela maior crise desde as grandes Guerras Mundiais. 

Além do mais, você pode estar se perguntando: tudo bem, mas o que qualquer crise tem a ver com design? O que podemos tirar de proveito desses momentos?

Para te ajudar a entender, trouxe neste conteúdo contextos históricos para evidenciar como a área de design participou das soluções na comunicação ao longo do tempo. 

Vamos lá!

 

Fim da Primeira Grande Guerra

 

Após o fim da Primeira Guerra (1918), as potências europeias assinaram o Tratado de Versalhes (1919) impondo sanções à Alemanha, que ficou em grande dificuldade, mas não foi só ela que saiu destruída.

Outros países europeus envolvidos precisaram encarar a reconstrução e o dinheiro veio sobretudo dos Estados Unidos, considerado o grande vencedor. 

A década de 1920 foi de euforia econômica naquele país, que  protagonizava o famoso american way of life, momento caracterizado pela alta produção e consumo em massa. Mas, logo essa euforia teve fim.

A desigualdade socioeconômica era alta: metade da população estava abaixo da linha da pobreza e a modernização da agricultura resultou em produção superior à demanda, gerando assim diminuição nos preços e aumento dos estoques. 

Com isso, a produção industrial atingiu níveis maiores do que o consumo, resultando em uma crise sem precedentes em 1929, a famosa quebra da bolsa de NY.

Agora, imagine esses muitos períodos de crise do século XX: 

  • A Primeira Guerra;
  • A Revolução Russa;
  • O “crack” da bolsa de NY;
  • A ascensão da Alemanha Nazista e da Itália de Mussolini;
  • A Segunda Guerra e por aí vai. 

São com esses períodos citados que os especialistas estão comparando o nosso COVID MOMENT.

 

O que isso tudo tem a ver com Design? 

 

1. Desde a época da União Soviética

O êxito da revolução de 1917 na Rússia e a criação subsequente da União Soviética polarizaram os conflitos de classe social em muitos países do mundo. Aliás, isso serviu como modelo e inspiração para movimentos trabalhistas. 

Em outro viés, estes movimentos trabalhistas ameaçavam de forma concreta as classes dominantes, que tinham como arte da propaganda político ilustrativa e representativa, o Construtivismo Russo.

Esse movimento estético-político de vanguarda contribuiu bastante para a forma como pensamos e produzimos arte e design desde o século passado.

 

2. Popularização de tecnologias e materiais

Entre as décadas de 1920 e 1940 surgiram novas tecnologias e materiais que antes haviam sido de aplicação restrita, como os plásticos e o alumínio, por exemplo. 

Também iniciava-se a popularização de automóveis, aviões, cinema, rádio dentre outros eletrodomésticos que ficaram mais populares e acessíveis. 

No Brasil, a era do rádio transformou a música popular em símbolo de nacionalidade

A existência de rádios, vitrolas, discos e cinema não somente foi importante para a produção de peças de design gráfico, como cartazes. Mas, também ajudou a divulgar hábitos e modas que, por sua vez, geraram novas oportunidades. 

 

3. HQ’s & Design

Uma área que sentiu o impacto do cinema de maneira especial foi a de histórias em quadrinhos, que experimentou na década de 1930 a sua maior transformação desde o final do século 19: a mudança da narrativa influenciada pela capacidade de dramatização e expressão dos cinemas. 

Dessa época, foram criados personagens como: Gato Felix (1921), Popeye (1929), Tarzan (1929), entre outros.

 

4. Moda & Design

A partir de 1920 as estrelas de Hollywood passaram a ditar mundialmente os padrões de comportamento e também de consumo que dominavam a sociedade americana. 

A expansão de mídias, como as revistas ilustradas e o cinema, contribuiu para o surgimento de outra importante área de atuação para os designers: a indústria de alta costura e de moda. Tal qual as conhecemos hoje e a despontarem nomes como Paul Poiret e Coco Chanel.

 

5. As primeiras identidades visuais

Datam de 1920 e 1930 alguns dos primeiros grandes projetos de identidade corporativa, ou seja, de um sistema de comunicação visual.

 A identidade corporativa começou a assumir novas características e é interessante observar que muitos dos primeiros grandes sistemas desse tipo surgem no setor de serviços públicos. 

O projeto de identidade corporativa do metrô Londres, criado na década de 1930, é um belo exemplo.

6. Modernismo no Design e Arquitetura

É claro que não podemos deixar de citar a Bauhaus, de 1920, considerada a primeira escola de design do mundo. 

A escola vanguardista de artes foi formada através da unificação de duas escolas, a Academia de Belas Artes e a Escola de Artes e Ofícios, em Weimar, na Alemanha.

Muito provavelmente, a criação da Bauhaus não teria sido possível fora do clima extremamente conturbado da Alemanha no período (1918 – 1919). 

A escola se encontrava no centro dos acontecimentos políticos e sua existência certamente foi motivada pela polarização ideológica até o momento de seu fechamento em 1933, com a chegada do partido nazista.

 

7. Propaganda política

É difícil, por exemplo, determinar se a propaganda nazista de Paul Joseph Goebbels foi menos letal que os foguetes de longa distância desenhados por Wernher von Braun. 

Aliás, durante a Segunda Guerra Mundial, não apenas os alemães, mas também os americanos usaram exaustivamente do recurso da propaganda para divulgar seus ideais. 

Contribuíram com essa batalha ideológica muitos diretores e atores de Hollywood, que se engajaram na luta contra os países do Eixo, depois do ataque da Marinha Imperial Japonesa a Pearl Harbor, em 1941.

 

8. Efeito Disney

Você já ouviu falar dos infográficos da Disney? Bom, é assim que eu particularmente chamo parte da produção Disney neste período. 

Entre 1942 e 1945, Walt teria produzido por volta de 70 horas de animação. A maioria tinha caráter patriótico, mas também havia animações com treinamentos militares e mensagens de boa vizinhança. 

Neste caso, as produções visavam conquistar a simpatia de países como México, Argentina e Brasil. Um dos frutos dessa iniciativa foi o Zé Carioca.

 

A força do Design

Por definição prática, o design é a arte de resolver problemas

E mais, tem a ver com a possibilidade de se criar novas percepções e soluções criativas diante de qualquer período caótico como os já citados, inclusive diante do nosso atual momento. 

Como vimos, o design se reinventa sob quaisquer circunstâncias históricas e de mercado.



Situação atual 

 

Agora, falando do nosso período, é provável que as coisas não voltem a ser como eram antes – estamos diante de uma forte mudança onde o designer, enquanto profissional, pode realmente fazer a diferença como vem fazendo através dos tempos. 

É claro que não podemos de maneira alguma ignorar o momento atual e achar que este é o melhor contexto do mundo para a produção. Não mesmo. 

Mas, entendemos, como profissionais da área de comunicação e design, que a crise pode ser a força motriz para muitos acontecimentos. Já percebemos que as coisas estão diferentes.

Veja só, no mercado de trabalho já percebemos a mudança acontecendo de forma rápida. Muitos negócios fecharam as portas para o público, mas seguem funcionando. 

O home office e as lives são pequenos exemplos do impacto, mas você também já parou para pensar no esforço criativo que as agências estão tendo para ajudar seus clientes a se reinventarem? Vale a reflexão.

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