Como uma das principais ferramentas de marketing atualmente, o Marketing de Influência é a união de empresas e influenciadores para criar um relacionamento mais próximo entre consumidor e a marca

Existem milhões de influenciadores no mundo hoje: youtubers, instagrammers, blogueiros e etc. Essa modalidade de marketing já provou ser eficiente e poderosa para aumentar o engajamento e negócios dentro das empresas. 

Agora, por que o marketing de influência é tão eficiente? 

Os influenciadores digitais só possuem esse nome, pois, existem pessoas que de alguma forma se sentem conectadas a eles. Pode ser pelo estilo, personalidade, alguma habilidade e outra infinidade de características. 

Pessoas atraem pessoas

Sendo assim, todos os usuários que admiram seus influencers, levam em consideração o conteúdo publicado por eles, e sim, despertam a necessidade de pertencimento: — Aquele influenciador usa esse produto, vou usar também.”

Porém, em até que ponto isso é saudável?

O fim dos likes no Instagram

O fim das curtidas dentro da plataforma tem como objetivo principal o bem-estar dos usuários, diminuindo efeitos psicológicos negativos. 

Uma das maiores verdades é que as pessoas assistem a vida dos influenciadores dentro da plataforma e acreditam que suas vidas são sem graça e fazem muitas outras comparações, especialmente sobre beleza.

Como resultado, isso gera um impacto grande em jovens que já sofrem de doenças como depressão e transtornos de ansiedade, as duas doenças do século. 

O Instagram já havia se posicionado a favor da saúde mental dos usuários, conectando-os com um serviço de ajuda quando o usuário busca #depressao ou #ansiedade dentro do aplicativo. 

Foi motivo de grandes debates e discussões para saber o futuro das métricas de empresas que utilizam o Marketing de Influência e não teriam mais os likes como um dado de engajamento

O que sabemos agora é: mais do que nunca, a relevância virá do conteúdo. Especialmente daqueles que inspirem as pessoas a ter uma vida de consumo mais consciente e sustentável.  

Opinião de psicóloga e influencer 

Convidamos a psicóloga e influencer brasiliense Karlla Lima (@psikarllalima) para participar de uma pequena entrevista que montamos para saber sua opinião acerca dos dois lados dessa moeda: influenciador e usuário. 

Segue a entrevista na íntegra:

“Primeiramente, bom dia Karlla, e, obrigada por aceitar participar da criação deste conteúdo. 

Seguem perguntas: 

  1. Como você descreve o impacto de um influencer na vida dos seus seguidores?

“Bom, o impacto não tem como ser mensurado de forma geral se levarmos em conta a singularidade e subjetividade de cada sujeito. Mas, se formos generalizar, atualmente o conteúdo que um influencer gera, tem grande impacto na vida da maioria dos que os segue. Podendo o influenciar em seus hábitos, estilo de vida, alimentação, estética e etc.”

  1. Você enxerga lógica ou verdade na relação das mídias sociais com doenças como depressão e transtornos de ansiedade?

“Sim. É claro que o desenvolvimento de transtornos psicológicos não é desencadeado apenas por um motivo. Mas, os sentimentos que as mídias sociais podem gerar nos usuários, podem sim agravar ou desencadear transtornos psicológicos.” 

  1. E as empresas? Qual a responsabilidade dela para com os influencers? Você acredita que existe alguma “exploração”? – No sentido de não se preocuparem com o bem-estar mental do influencer, que passa a maior parte do tempo exposto e “vulnerável”.

“Bom, a maior preocupação das empresas, principalmente as grandes, é a do alcance que aquele anúncio terá e nos números que aquela publicação irá render em R$. Atualmente, a divulgação pelo Instagram, é a propaganda mais barata e de maior alcance. Há uma exploração dos pequenos influencers, as marcas fazem permutas que na maioria das vezes é mais rentável para a empresa do que para o influencer. Para os grandes influencers, acredito que é um trabalho, onde o contratado recebe uma quantia e se compromete a vender aquele produto/serviço. A exposição já existe, então a responsabilidade passa a ser do influencer. O perigo vem quando o produto ou serviço a ser divulgado falta com a verdade ou com a qualidade, o nome do influencer está ligado a marca, portanto há risco para o contratado de ter seu nome associado ao da empresa.”

  1. Qual a responsabilidade dos influencers para com seus seguidores? Você acha que eles deveriam de alguma forma, contribuir mais para o bem-estar mental de seus seguidores? 

“Sim, a partir do momento que o influencer escolhe utilizar sua imagem para influenciar pessoas, deve estar atento ao impacto que isso pode gerar nos que o seguem, negativo e positivo. Estar atento a tudo isso, pode ser bastante cansativo e desgastante, pois é uma grande responsabilidade. Principalmente, quando o público alvo são crianças e adolescentes, que ainda estão em desenvolvimento. Acredito que a melhor forma de contribuir com o bem-estar psíquico dos seguidores é mostrar a verdade, a vida real. Não apenas, festas, maquiagens, looks caros, cabelos sempre penteados, viagens e etc. Fazer com que o seguidor se encante pelo real e não pelo inalcançável.” 

  1. E os usuários, que muitas vezes, criticam publicamente com mensagens de ódio, deveriam se sentir responsabilizados pelo bem-estar mental dos influencers a quem segue?

“Algumas pessoas, quando estão atrás de seus celulares e computadores, tem um sentimento de poder e impunidade. Tal sentimento pode fazer com que aquela pessoa se sinta no direito de atacar os outros. O fato de alguns influencers passarem a imagem de perfeição, traz mais raiva aos que sabem que não conseguirão o mesmo. Muitos acreditam que tem o direito de opinar e atacar influenciadores, pois os mesmos já estão expostos.”

  1. Você, como influencer e psicóloga, recebe muitas mensagens com pedidos de ajuda e conselhos. É uma boa forma de contribuir para a saúde mental dos seguidores oferecendo essa pequena ajuda?

“Sim, recebo diariamente mensagens de pessoas contando suas histórias, pedindo opiniões e dicas. Com certeza é uma boa forma de contribuir para que essas pessoas reflitam sobre suas atitudes, se amem mais e se valorizem. Como no Instagram ofereço apenas orientações e pequenos conselhos, na maioria das vezes indico que procurem terapia.” 

  1. Você se sente responsável pelos seus seguidores? Em como está afetando a vida deles? 

“Com certeza, tudo isso é muito sério. Apesar de ser uma pequena influencer, quando posto sobre qualquer coisa, sei que muitas pessoas são influenciadas no momento em que assistem ou leem algum post meu. No meu caso, como profissional tenho um código de ética para seguir, o que faz com que essa responsabilidade seja maior ainda. Apesar de no Instagram, ser uma pessoa comum, alguns seguidores se tornaram meus pacientes e podem confundir a Karlla psicóloga com a Karlla ser humano que comete erros, tem uma vida particular e etc. Então preciso tomar o cuidado de que o conteúdo que posto não influencie no acompanhamento daquele sujeito.”

  1. Algum conselho para Influencers e seguidores? 

“Não há problema nenhum em seguir pessoas pelas quais você tem admiração, mas lembre-se sempre de que aquela pessoa tem uma vida assim como a sua. O óbvio às vezes precisa ser dito, não existe perfeição. Você que é influencer, ao invés de adoecer pessoas não intencionalmente postando uma vida fake, poste sua vida real, seus defeitos, a vida sem filtro e efeitos. E para você seguidor, ao invés de procurar pessoas que passam a imagem de perfeição, procure pessoas das quais você se identifica, que mostrem a vida real, com seus dias cinzas e coloridos.”

Desde já, muito obrigada mesmo por contribuir!”

 

Conclusão

Diante de todas as informações que temos, podemos ver que efetivamente o Marketing de Influência exerce uma mudança no comportamento do consumidor, isso é o que o torna tão eficaz em uma estratégia de Marketing. 

Mas é claro, é necessário pensar na responsabilidade social e nas consequências dessa influência. Tanto para os influenciados, quanto para os influenciadores.

A melhor dica de hoje é: dentro de uma estratégia de marketing de influência, sempre pense primeiro no bem-estar social e emocional de todos os envolvidos. Sem dúvida, é uma boa maneira para que essa estratégia continue atingindo bons resultados de forma consciente. 

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